Setembro Amarelo: escola e família podem formar rede de apoio à saúde emocional dos adolescentes

Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, queda no rendimento escolar e alterações no sono ou no apetite podem indicar que um adolescente precisa de atenção. Perceber esses sinais e oferecer acolhimento exige uma atuação articulada entre família e escola, capaz de criar espaços seguros de diálogo e buscar apoio especializado quando necessário.

O tema ganha visibilidade durante o Setembro Amarelo, mas requer atenção ao longo de todo o ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada sete adolescentes de 10 a 19 anos vive com alguma condição de saúde mental. Ansiedade, depressão e transtornos comportamentais estão entre as principais causas de adoecimento e incapacidade nessa faixa etária.

“A adolescência é uma fase de intensas transformações, na qual os jovens estão construindo sua identidade e aprendendo a compreender melhor suas emoções. Nesse processo, o apoio de adultos de referência contribui para o desenvolvimento de competências como autoconhecimento, responsabilidade e autorregulação”, afirma a diretora de Soluções Complementares na Cogna Educação, Luciana Patrocínio. “Quando família e escola atuam de forma complementar, o adolescente encontra condições mais favoráveis para enfrentar desafios, desenvolver confiança em si mesmo e buscar ajuda quando necessário”, explica Luciana

Escuta e limites podem caminhar juntos
A adolescência reúne transformações físicas, emocionais e sociais. Questões relacionadas à autoestima, à aceitação do próprio corpo, ao pertencimento e às relações interpessoais podem se somar à pressão pelo desempenho escolar, às expectativas familiares e à exposição às redes sociais.

Nesse contexto, mudanças de comportamento precisam ser compreendidas considerando a realidade na qual o adolescente está inserido. A escuta é uma das primeiras formas de acolhimento, mas não significa concordar com tudo ou abrir mão de limites.

“Aprender a lidar com emoções não significa evitar sentimentos difíceis, mas reconhecê-los e compreender como eles influenciam pensamentos, decisões e comportamentos. Quando o adolescente desenvolve autoconhecimento e encontra espaços seguros para dialogar, amplia sua capacidade de fazer escolhas conscientes, comunicar necessidades e agir de forma mais responsável diante das situações que enfrenta”, diz a diretora de Soluções Complementares na Cogna Educação.

A escola também ocupa uma posição importante nessa rede. Por acompanhar o estudante em situações de aprendizagem e convivência, pode perceber alterações em sua participação, em seus relacionamentos ou em seu desempenho. Seu papel, entretanto, não é diagnosticar nem substituir a família ou os profissionais de saúde, mas acolher, compartilhar percepções com os responsáveis e contribuir para o encaminhamento adequado.

Desenvolvimento socioemocional amplia recursos para enfrentar desafios
Competências como autoconhecimento, autorregulação, empatia, comunicação e resolução de problemas ajudam os estudantes a compreender o que sentem, expressar necessidades, buscar apoio e lidar com frustrações, conflitos e adversidades. Esses recursos não evitam o sofrimento nem substituem o cuidado especializado, mas podem ampliar as possibilidades de enfrentá-lo de maneira mais saudável.

Entre as iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional, ganham espaço propostas que integram essas competências à rotina escolar desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. A abordagem envolve toda a comunidade escolar e trabalha dimensões como responsabilidade pelas escolhas, autoconhecimento, escuta, cooperação, autonomia e definição de objetivos.

Ao integrar essas competências à rotina da escola, a proposta busca construir uma linguagem comum entre estudantes, educadores e famílias. A intenção é fazer com que o desenvolvimento socioemocional não fique restrito a uma atividade isolada, mas esteja presente nas relações, nas escolhas e na forma de lidar com os desafios cotidianos.

“Competências socioemocionais ajudam os jovens a compreenderem melhor quem são, como reagem às situações do cotidiano e quais recursos podem mobilizar diante das dificuldades. Habilidades como autorregulação, empatia, comunicação e resolução de problemas contribuem para que eles enfrentem desafios de maneira mais equilibrada e construam relações mais saudáveis ao longo da vida”, diz Luciana.

A resiliência está relacionada à capacidade de lidar com desafios, adaptar-se a diferentes circunstâncias e continuar aprendendo ao longo do processo. Competências como autoconhecimento, autorregulação e mentalidade de crescimento contribuem para que os jovens desenvolvam recursos emocionais importantes para enfrentar adversidades de forma mais equilibrada.

Relações familiares e escolares seguras também criam condições mais favoráveis à aprendizagem. Quando se sente respeitado e pertencente ao ambiente, o estudante tende a encontrar mais segurança para participar, fazer perguntas, persistir diante de dificuldades e conviver com os colegas.

“O diálogo com as famílias e a construção de relações de confiança ajudam os estudantes a participar, se expressar e enfrentar desafios com mais segurança”, afirma a diretora e mantenedora do Colégio Costa Aguiar, Débora Ribeiro Aguiar Costa, escola parceira do Líder em Mim.

Como agir diante de sinais de alerta
Isolamento, reatividade ou passividade excessiva, desmotivação e alterações relevantes no rendimento, no sono ou no apetite merecem atenção quando são persistentes ou representam uma mudança em relação ao comportamento habitual do adolescente. Esses sinais não permitem um diagnóstico isoladamente, mas podem indicar a necessidade de acolhimento e avaliação profissional.

“Mudanças persistentes de comportamento merecem atenção porque podem sinalizar que o adolescente está encontrando dificuldades para lidar com determinadas situações ou emoções. Por isso, é importante que os adultos observem não apenas os comportamentos em si, mas também o contexto em que eles acontecem, mantendo canais abertos de diálogo e apoio”, explica Luciana.

O primeiro passo é conversar sem pressão, ameaças ou julgamentos. Perguntas abertas e uma postura disponível podem favorecer o diálogo. Se as alterações persistirem, causarem sofrimento ou comprometerem a rotina, a recomendação é procurar um profissional qualificado.

Como família, escola e profissionais especializados observam o adolescente em contextos diferentes, a troca responsável de informações pode contribuir para uma rede de proteção mais efetiva. Essa atuação deve respeitar a privacidade do jovem e as atribuições de cada parte.

“Promover o bem-estar emocional dos adolescentes é um trabalho contínuo que envolve relações de confiança, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e acesso a redes de apoio quando necessário. Quanto mais preparados os jovens estiverem para compreender suas emoções, exercer a autorregulação, pedir ajuda e aprender com os desafios, maiores serão suas condições de construir trajetórias saudáveis dentro e fora da escola”, conclui a diretora de Soluções Complementares na Cogna Educação, Luciana Patrocínio.