Por Paula Spolzino*
Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a adoção de metodologias ativas representa uma importante estratégia para promover o protagonismo dos estudantes em seu processo de aprendizagem. Ao incentivar a participação, a investigação e a construção de conhecimento, essas abordagens contribuem para que o estudante desenvolva autonomia, senso crítico e maior envolvimento com os conceitos trabalhados nos ambientes de aprendizagem.
Com forte potencial interdisciplinar, as metodologias ampliam as possibilidades de aprendizagem. Durante a primeira infância, fase marcada por descobertas e intenção na construção de repertório, essas práticas favorecem experiências concretas e significativas de aprendizagem.
Nesse sentido, a Metodologia de Trabalho por Projetos (MTP) se destaca como uma abordagem ativa que compreende como um percursor vivo, por meio de perguntas, interesse e investigações dos estudantes. Dessa forma, o ambiente escolar transforma-se em um espaço dinâmico e colaborativo, que estimula o pensamento crítico e a resolução de problemas, promovendo autonomia e criatividade.
A metodologia ativa como uma prática potencializadora na Alfabetização
A prática pedagógica tem passado por importantes transformações ao longo dos anos e, com isso, tem contribuído para o combate ao analfabetismo no país. Quando analisada em um recorte de 20 anos, é possível entender a evolução da educação no Brasil. O levantamento nacional realizado em 2024 pelo Indicador de Alfabetismo Nacional (Inaf) releva uma redução do número de analfabetos na população brasileira, considerando a faixa etária de 15 a 64 anos, caindo de 12%, em 2001-2002, para uma médica entre 4% e 7% entre 2015 e 2024, no limite da margem de erro da pesquisa.
Por outro lado, o estudo também releva que, em 2024, oito em cada 10 pessoas que cursaram apenas os Anos Iniciais do Ensino Fundamental permanecem na condição de analfabetismo funcional, e 36% chegam ao nível elementar de alfabetização, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias pedagógicas que garantam o desenvolvimento pleno das habilidades de leitura, escrita e compreensão.
Diante desse cenário, o avanço da alfabetização na infância torna-se um compromisso essencial para o país. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, o Brasil registrou um índice de 66% de crianças alfabetizadas na idade adequada em 2025, superando a meta de 64%. Em comparação a 2023, o avanço foi de 10%, quando o indicador nacional era de 56%, e em 2021, 36%, revelando o avanço de 30% em menos de 5 anos.
Esse compromisso é fundamental para incentivar novas formas de aprendizagem, com metodologias ativas que favoreçam competências aos estudantes, como colaboração, comunicação, criatividade, pensamento crítico e capacidade de resolver problemas.
Integração de metodologias nas escolas
Nesse aspecto, abordagens como a Metodologia de Trabalho por Projetos, que permite enxergar a aprendizagem como um processo vivo, valorizando a investigação e escuta ativa, é um caminho essencial para equilibrar as demandas curriculares e os interesses dos estudantes. A metodologia permite que exista um impacto social nas ações realizadas pelos estudantes, desenvolvendo competências cognitivas, sociais e emocionais, tornando a aprendizagem mais significativa e conectada à realidade.
Nesse contexto, o professor assume o papel de mediador, avaliando constantemente os percursos de aprendizagem, os níveis de participação, as evidências construídas pelos estudantes e os objetivos pedagógicos previstos, tornando a aprendizagem significativa e conectada à realidade.
O trabalho com metodologias ativas exige intencionalidade pedagógica e, diante da evolução tecnológica que impõe novos desafios aos professores, práticas que estimulam a investigação e promovam a construção coletiva de conhecimento é uma escolha essencial para fortalecer o ambiente de aprendizagem. É fundamental integrar estratégias que favoreçam o protagonismo, a participação e a construção do conhecimento de forma significativa para os estudantes, respeitando os objetivos pedagógicos e as necessidades de cada turma.
*Paula Spolzino é Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais, da unidade de Botucatu da Rede de Colégios Santa Marcelina, instituição que alia tradição à uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do mercado de educação.
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