Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revela que 85% dos adolescentes brasileiros jogam videogames. O uso costuma ser recreativo, mas a associação entre o hábito e situações problemáticas tem se tornado cada vez mais frequente, especialmente nos casos de uso excessivo.
Quando o jogo deixa de ser apenas diversão
Segundo a Orientadora Educacional de Apoio à Aprendizagem do Colégio Rio Branco, Juliana Gois, o uso dos jogos on-line se torna preocupante quando o envolvimento é tão intenso que a criança ou o adolescente passa a evitar interromper a atividade, mesmo para necessidades básicas como comer, dormir ou ir ao banheiro. “O comportamento também chama atenção quando o jovem deixa de cumprir compromissos, como tarefas escolares, cursos extras ou a própria frequência às aulas”, explica Juliana.
A orientadora destaca ainda outros sinais de alerta: o afastamento de amigos e familiares em favor do reconhecimento conquistado apenas no ambiente virtual, o uso dos games como forma de evitar interações sociais ou de aliviar situações difíceis, como bullying ou dificuldades de aprendizagem, e a substituição sistemática de momentos de ócio pelo tempo de jogo. “O ponto de atenção não é o jogo em si, mas o momento em que ele passa a atrapalhar atividades do dia a dia, como as refeições em família, a rotina escolar, o sono e o convívio social”, afirma Juliana.
Tempo de tela e recomendações por idade
De acordo com o Plano de Mídia da Família, da Academia Americana de Pediatria, o tempo de uso deve ser limitado conforme a idade, o nível de desenvolvimento e a maturidade emocional da criança. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a telas. Entre 2 e 5 anos, o tempo não deve ultrapassar uma hora por dia, preferencialmente com a interação de um adulto; entre 6 e 10 anos, o limite sobe para duas horas; e, entre 11 e 17 anos, o teto recomendado é de três horas diárias.
Como estabelecer limites
Para Juliana, os jogos devem ser tratados como um privilégio, e não um direito, o que facilita o estabelecimento de regras. Entre as orientações para as famílias estão:
• Definir combinados claros sobre quando o tempo de jogo pode ser ganho ou perdido, associando-o ao cumprimento de tarefas escolares ou domésticas;
• Só permitir a comunicação com outras pessoas dentro dos jogos com autorização dos responsáveis;
• Participar do universo do jogo, seja jogando junto ocasionalmente, seja se informando sobre sua dinâmica;
• Evitar o uso de jogos em momentos de interação familiar, para manter o interesse pelo mundo real;
• Discutir previamente qualquer compra feita dentro dos jogos;
• Posicionar o videogame em uma área comum da casa, o que tende a reduzir o tempo de uso;
• Incentivar atividades fora de casa, que diminuem a vontade de jogar;
• Valorizar as conquistas obtidas fora do ambiente virtual.
A orientadora alerta que é comum uma piora temporária de comportamento quando os limites são impostos pela primeira vez. “Isso costuma acontecer porque, em outros momentos, a criança pode ter conseguido o que queria ao reagir assim. Se os pais cederem diante da irritação, fica cada vez mais difícil estabelecer qualquer tipo de limite depois”, pontua Juliana.
Os benefícios também existem
Apesar dos riscos do uso excessivo, os jogos on-line também podem contribuir para o desenvolvimento infantil quando inseridos de forma equilibrada na rotina, com tempo controlado, conteúdo adequado à idade e sem prejudicar tarefas escolares, atividade física e convívio social.
“Dependendo do jogo, é possível até favorecer habilidades cognitivas que colaboram com o processo de aprendizagem”, observa Juliana, que cita, ainda, o uso de games como ferramenta pedagógica em conteúdos específicos e sua aplicação na área da saúde, especialmente na reabilitação de quadros neurológicos e na estimulação de funções cognitivas.
Acompanhar é a palavra-chave
Para a Orientadora Educacional de Apoio à Aprendizagem do Colégio Rio Branco, conhecer os jogos utilizados pelos filhos é essencial, mesmo que os pais não joguem junto. “É importante entender como o jogo funciona, quais são seus objetivos e desafios. Isso não só aproxima pais e filhos, como permite avaliar se a dinâmica é compatível com a faixa etária, se há conteúdo inapropriado ou se a criança está exposta a algum risco”, conclui Juliana.
Acesse a página do Colégio Rio Branco no Portal Guia Escolas e saiba mais sobre a instituição de ensino.
