O Enem 2025 atingiu 4,8 milhões de inscritos, um aumento de 11,2% em relação ao ano anterior, segundo o Inep. Mas o que chama atenção não é só o volume de candidatos, é também o próprio formato das provas que está mudando: menos memorização e mais raciocínio. É preciso acompanhar esses avanços na preparação para os exames.
As provas e a preparação para elas mudaram
No Enem 2026, o formato testlet, em que duas ou mais questões compartilham um mesmo texto-base, deve ser expandido para todas as áreas dentro da prova, após estrear em Linguagens em 2025. Na Fuvest, a primeira fase passará de 90 para 80 questões a partir do Vestibular 2027, mantendo o mesmo tempo de prova. Mais tempo para pensar, menos questões isoladas: a lógica é a mesma em ambos os casos.
“Os processos seletivos de 2026 demonstram uma tendência à minimização da memorização e à maior promoção da reflexão. Atualidades, geopolítica, questões de gênero, meio ambiente e inteligência artificial podem ser fio condutor em questões de diferentes disciplinas, tanto na Fuvest como na Unicamp”, afirma a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio do Colégio Rio Branco Unidade Granja Vianna, Ana Maris Goulart.
Decorar não é mais suficiente
Diante desse cenário, escolas estão migrando de um modelo de preparação por acumulação de conteúdo para um modelo orientado por competências. “Na prática, é muito mais importante saber o que fazer com um determinado conteúdo do que simplesmente decorá-lo. A capacidade de ler o mundo com olhar crítico não se constrói na 3ª série do Ensino Médio. O estudante bem-preparado para o Enem está, em grande medida, capacitado para a maioria dos processos seletivos. O que muda entre eles é o grau de aprofundamento em determinadas áreas”, diz Ana Maris.
A incorporação de IA nos estudos
É inevitável falar sobre estudos e não tocar no assunto Inteligência Artificial. Segundo a pesquisa TIC Educação do Cetic.br, sete em cada 10 alunos do Ensino Médio usam ferramentas de IA generativa em trabalhos escolares. Mas apenas 32% receberam orientação nas escolas sobre como usar essa tecnologia de forma responsável.
“A IA já é uma realidade incontornável. O papel da escola é ajudar o estudante a distinguir o uso. A IA deve ser um apoio, uma ferramenta, e não a substituição do pensamento, porque a diferença entre os dois define se a tecnologia vai potencializar ou empobrecer o aprendizado”, explica a coordenadora.
Saúde mental também é uma preocupação
Entre 2014 e 2024, os atendimentos a jovens de 15 a 19 anos por ansiedade no SUS cresceram 3.300%, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Após identificar aumento de crises de ansiedade durante a aplicação das provas, a Fuvest criou para 2026 o programa Fuvest Escuta, que consiste em rodas digitais com psicólogos, para até 10 mil candidatos.
“Quando o aluno sabe porque está estudando e para onde quer ir, a ansiedade muda de natureza: ela deixa de ser paralisante e se torna mobilizadora. O vestibular é uma etapa importante, mas não define quem você é. É importante lembrar sempre disso. O cronograma ideal não é o mais cheio, mas o mais sustentável”, afirma a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais e do Ensino Médio do Colégio Rio Branco Unidade Granja Vianna.
Aos pais, a coordenadora faz um alerta: os que viveram o vestibular há 20 ou 30 anos têm uma memória de preparação que não corresponde mais à realidade. A pressão excessiva é, muitas vezes, contraprodutiva. “Uma escola de excelência também deve formar jovens capazes de aprender continuamente, de lidar com a incerteza e de contribuir com o mundo em que vivem. A preparação para o vestibular é, no fundo, a mesma preparação para a vida”, conclui Ana Maris.
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