Datas educacionais celebradas em abril, como o Dia do Livro (23/04) e o Dia da Internacional da Educação (28/04), chegam em um cenário em que a leitura ganha visibilidade nas redes sociais, mas ainda enfrenta o desafio de se consolidar como hábito. Um vídeo viral pode esgotar um título em poucas horas. O passo seguinte é transformar a curiosidade inicial em continuidade.
Na biblioteca do Colégio Marista Glória, no bairro do Cambuci, em São Paulo, esse movimento aparece diariamente. O interesse dos alunos acompanha o que ganha projeção, seja por listas de vestibular, adaptações audiovisuais ou recomendações on-line. “A mídia é potente para divulgar a leitura. Tudo que está atual desperta curiosidade e os estudantes vão atrás mesmo”, afirma a bibliotecária do colégio, Valéria Cordero.
O cenário acompanha uma tendência nacional. O consumo de livros cresceu no Brasil em 2025. De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e com a realização da Nielsen BookData, 18% da população adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores no período. O avanço foi puxado principalmente pelos jovens e pela influência das redes sociais.
O que os alunos estão lendo
Na prática, o interesse dos estudantes mistura clássicos, séries contemporâneas e títulos impulsionados pela internet. Autores como Itamar Vieira Júnior e Conceição Evaristo estão em alta, enquanto as obras de Machado de Assis mantêm procura constante entre os alunos mais velhos. Entre os mais novos, o interesse se concentra em narrativas com humor, mistério e forte apelo visual. Séries conhecidas ajudam na formação do hábito.
No dia a dia da biblioteca, circulam com frequência títulos como Diário de um Banana, Harry Potter, A Casa dos Treze Andares e Percy Jackson. Também aparecem livros de Roald Dahl, Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, além de clássicos que continuam despertando interesse em diferentes faixas etárias, como Alice no País das Maravilhas, O Pequeno Príncipe e Peter Pan.
Esse ranking é resultado de uma curadoria compartilhada entre biblioteca, professores e coordenação pedagógica, que considera maturidade, interesses e diversidade de gêneros. A proposta é garantir que a leitura seja uma experiência progressiva e positiva.
O contexto atual é desafiador, mas também promissor. “As redes sociais podem ser a porta de entrada. A escola precisa transformar esse interesse em hábito. Quando isso acontece, o livro volta a fazer parte da rotina dos jovens”, observa Valéria.
Um dos períodos de maior atenção é a faixa entre 9 e 13 anos, quando a leitura passa a disputar espaço com novas demandas sociais, maior autonomia e consumo digital mais intenso. A estratégia da biblioteca é apostar na diversidade de formatos e na mediação ativa. “A biblioteca precisa ser um espaço de descoberta. O estudante muitas vezes entra para conversar ou descansar e sai com um livro. Esse é o primeiro passo”, afirma a bibliotecária do Colégio Marista Glória.
Além do livro impresso, o hábito de leitura também tem sido impulsionado por novos formatos. E-books, audiolivros, podcasts narrativos e plataformas digitais ampliam o acesso e dialogam com diferentes perfis de leitores.
“Hoje o aluno pode ler no celular, no tablet, ouvir uma história em áudio ou acompanhar uma narrativa em podcast. São formas diferentes de contato com o texto, que ajudam a despertar o interesse e ampliar o repertório. Não existe apenas uma forma de ler. O importante é o vínculo com a narrativa. Seja no papel, na tela ou no áudio, o que importa é o contato com a história”, explica Valéria.
Os audiolivros fortalecem a escuta e a interpretação, além de favorecer a acessibilidade. Já os e-books facilitam o acesso a títulos variados e permitem que o estudante tenha várias obras disponíveis ao mesmo tempo.
Relação afetiva com a leitura
A diretora do Colégio Marista Glória, Cláudia Paschoalin, destaca que a formação do leitor começa antes mesmo da alfabetização e envolve a construção de vínculo com o momento da leitura. “A leitura tem um papel importante na construção do pensamento, da autonomia e do repertório cultural, mas também envolve memória afetiva. Quando alguém lê para a criança, cria-se um vínculo com o livro, com a escuta e com aquele momento de acolhimento”, afirma Cláudia.
A afirmação é respaldada por estudos internacionais. A American Academy of Pediatrics recomenda a leitura compartilhada desde a primeira infância e aponta que ler com bebês e crianças pequenas fortalece a relação com pais e cuidadores e favorece o desenvolvimento da linguagem e do cérebro.
Essa experiência influencia o hábito ao longo da vida. “Mesmo quando a criança ainda não sabe ler, ela participa desse momento. Depois, quando passa a ler sozinha, busca reviver essa relação. É uma construção afetiva com o livro e com o conhecimento”, completa a diretora.
Colégio Marista Glória
O Colégio Marista Glória faz parte da rede de colégios e escolas do Marista Brasil, que está presente em 20 estados brasileiros, atendendo cerca de 100 mil crianças, jovens e adultos em 97 unidades de ensino. Os estudantes recebem formação integral, composta pela tradição dos valores Maristas e pela excelência acadêmica alinhada aos desafios contemporâneos. Por meio de propostas pedagógicas diferenciadas, crianças e jovens desenvolvem conhecimento, pensamento crítico, autonomia e se tornam mais preparados para viver em uma sociedade em constante transformação.
