Seu filho em casa, aluno na escola: por que essa diferença importa?

Por Esther Carvalho*

O Dia Nacional da Educação, celebrado no dia 28 de abril, convida a uma reflexão que vai além da sala de aula: o que significa, hoje, educar? Se, em décadas anteriores, a escola era vista principalmente como o espaço de transmissão de conhecimento, onde o professor detinha o saber e o ensino era o foco, o cenário atual revela uma transformação profunda.

Em uma sociedade marcada pela hiperconectividade e pela velocidade na produção de informações, educar passou a envolver não apenas o domínio de conteúdos, mas o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens. Aprender a conhecer segue sendo fundamental, mas se soma a outras dimensões essenciais: aprender a ser, a conviver e aprender a aprender para construir sentido e perseverar em um mundo cada vez mais complexo.

Esse movimento amplia, de forma significativa, a responsabilidade da escola. Temas como letramento racial, de gênero e digital retornam com força ao ambiente educacional não por terem origem nele, mas porque refletem desafios sociais urgentes. A escola, como espaço coletivo e formativo, torna-se um lugar privilegiado para essas discussões, ainda que não possa, sozinha, dar conta delas.

A confiança como base da parceria escola-família
Atualmente, se observa um crescimento na desconfiança das famílias em relação à capacidade educadora das instituições. Muitas vezes, esse sentimento nasce da dificuldade de separar o papel de “filho” (no âmbito privado) do papel de “aluno” (no âmbito coletivo).

A complexidade dessas relações também se intensifica com a mediação das tecnologias. Conflitos escolares, antes restritos a pequenos grupos, ganham visibilidade nas redes sociais e se transformam em debates públicos, muitas vezes desproporcionais e pouco produtivos. A amplificação desses episódios desafia o ambiente educacional e exige novas formas de mediação. Nesse contexto, é preciso resgatar a interlocução direta e a autoridade pedagógica fundamentada na escuta e no respeito.

Para que esse processo seja bem-sucedido, a relação entre família e escola deve ser baseada na confiança recíproca. Mesmo diante de divergências ou conflitos, que são inerentes ao ato de educar, é preciso ter a clareza de que ambos os lados buscam o mesmo objetivo: a formação de um indivíduo e de um cidadão ético, solidário e competente.

Quando a relação entre escola e família se fragiliza, a sociedade perde um de seus principais pilares civilizatórios. É nesse ambiente que crianças e jovens aprendem, na prática, a equilibrar o que querem, o que podem e o que devem fazer, base essencial para a formação de cidadãos conscientes, responsáveis e comprometidos.

Diante desse cenário, o Dia Nacional da Educação reforça a urgência de reconhecer o valor social da escola e dos educadores. Em um país como o Brasil, marcado por desigualdades, mas também por enorme potência transformadora, é fundamental investir não apenas em estrutura, mas no prestígio e na valorização da profissão docente. A escola não é apenas um espaço que prepara para o futuro, é o lugar onde o futuro é construído diariamente. E garantir que ela cumpra esse papel exige compromisso coletivo, visão de longo prazo e a convicção de que educar é, acima de tudo, um ato de responsabilidade compartilhada e de esperança.

*Esther Carvalho é ex-aluna e diretora-geral do Colégio Rio Branco, doutoranda em Tecnologias da Inteligência e Design Digital e mestre em Currículo e Tecnologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação.

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